Peixe na gravidez: quais sim, quais não e porquê
Guia prático para saber que peixes podes comer grávida, quais evitar por causa do mercúrio, do anisakis ou da listeria, e com que frequência segundo a AESAN e a OMS.

O peixe é um dos alimentos mais recomendados durante a gravidez. Fornece proteínas de qualidade, iodo, vitamina D e ácidos gordos ómega 3, fundamentais para o desenvolvimento do cérebro e da visão do bebé. Mas nem todos servem: alguns concentram mercúrio, outros podem conter parasitas ou bactérias perigosas para o feto.
Este guia resume, seguindo as recomendações da AESAN (Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição) e da OMS, quais os peixes que podes comer sem preocupação, quais convém limitar e quais evitar por completo durante os nove meses.
Porque é que o peixe é importante na gravidez
Durante a gestação, o cérebro e o sistema nervoso do bebé precisam de um aporte constante de DHA, um tipo de ómega 3 que se encontra sobretudo em peixes gordos. Também precisa de iodo (essencial para o desenvolvimento cognitivo) e de vitamina D.
A AESAN recomenda consumir entre 3 e 4 porções de peixe por semana, combinando peixe branco e azul. Eliminá-lo por completo não é boa ideia: perdes nutrientes difíceis de obter por outras vias.
O problema: mercúrio, anisakis e listeria
Há três riscos concretos que justificam as precauções:
- Mercúrio: acumula-se em peixes grandes e predadores. Pode afetar o desenvolvimento neurológico do feto.
- Anisakis: parasita presente em peixe cru ou pouco cozinhado. Provoca reações alérgicas e digestivas.
- Listeria: bactéria que sobrevive em peixes fumados, marinados ou crus. Pode atravessar a placenta e causar complicações graves.
A boa notícia: os três controlam-se facilmente escolhendo bem a espécie e cozinhando o peixe a mais de 60 °C, ou congelando-o previamente se for consumido cru.
Peixes que PODES comer (3-4 vezes por semana)
São os de baixo teor de mercúrio. Podes tomá-los com tranquilidade, sempre bem cozinhados:
- Sardinha, biqueirão, cavala (do Atlântico), chicharro
- Pescada, pescadinha
- Bacalhau
- Linguado, pregado
- Salmão (cozinhado, não fumado nem cru)
- Truta
- Pregado-rei, dourada, robalo
- Anchova (fresca, cozinhada)
- Lula, choco, polvo
- Mexilhão, amêijoa, berbigão (bem cozidos)
Estes peixes combinam segurança e bom aporte nutricional. Alterna os brancos (magros, mais fáceis de digerir) com os azuis (mais ricos em ómega 3).
Peixes com precauções (no máximo 1-2 vezes por mês)
Contêm mercúrio em níveis moderados. A AESAN permite-os em quantidades limitadas:
- Atum-branco
- Tamboril
- Cabracho
- Palometa
Uma porção ocasional não é problema, mas não convém que sejam os teus peixes habituais durante a gravidez.
Peixes que NÃO deves comer durante a gravidez
A AESAN é clara: durante a gravidez, a amamentação e em menores de 10 anos, deve evitar-se por completo estes peixes pelo seu elevado teor de mercúrio:
- Espadarte
- Atum-rabilho (Thunnus thynnus, o grande)
- Tubarão (cação, tubarão-azul, tintureira, palmilha)
- Lúcio
O atum-claro em lata é permitido com moderação (é uma espécie mais pequena, com menos mercúrio).
Peixe cru, fumado e marinado: melhor não
Aqui o problema não é o mercúrio, mas o anisakis e a listeria. Durante a gravidez evita:
- Sushi, sashimi, ceviche, anchovas em vinagre caseiros ou sem congelação prévia garantida
- Salmão fumado, truta fumada, bacalhau fumado
- Carpaccios de peixe
- Ostras cruas e outros mariscos não cozinhados
- Surimi de baixa qualidade sem garantias de conservação
Se tiveres muita vontade de sushi, há opções cozinhadas (tempura, enguia) ou vegetais que podes saborear sem risco.
Como cozinhar o peixe para eliminar riscos
Duas regras simples e fica tudo coberto:
- Cozinhar a mais de 60 °C no centro da peça. Nada de pontos rosados nem sushi morno. No forno, na grelha, a vapor, em guisado ou frito completamente.
- Se for comer cru, marinado ou pouco passado (ainda que desaconselhado na gravidez), deve ter sido congelado a -20 °C durante pelo menos 5 dias.
As anchovas em vinagre caseiras são um dos maiores focos de anisakis em Espanha. Se as preparares tu, congela o peixe antes, sem exceção.
Benefícios do ómega 3 durante a gravidez
O DHA contribui para o desenvolvimento cerebral e visual do bebé, sobretudo no terceiro trimestre, quando ocorre o maior crescimento neuronal. Também se associou a um menor risco de parto prematuro.
A melhor fonte são os pequenos peixes azuis: sardinha, biqueirão, cavala, salmão. Duas porções semanais de peixe azul cobrem de sobra as necessidades. Se não comes peixe, fala com a tua parteira: pode avaliar um suplemento de DHA de origem algal.
Cuidar da alimentação anda de mãos dadas com outros hábitos importantes nesta fase, como as quantidades seguras de café, chá e infusões, onde também há nuances que convém conhecer.
Perguntas frequentes
Posso comer atum em lata durante a gravidez? Sim, o atum-claro em lata provém de espécies pequenas (gaiado, patudo) com níveis baixos de mercúrio. Podes consumi-lo normalmente dentro das tuas porções semanais de peixe. O atum-rabilho, em contrapartida, é desaconselhado.
O salmão fumado do supermercado é seguro se vier embalado? Não durante a gravidez. Mesmo embalado a vácuo, o fumado a frio não elimina a listeria. Podes comê-lo se o cozinhares (por exemplo, numa massa bem quente).
E os camarões e gambas? Sim, sempre bem cozidos. Evita os cocktails de marisco frios se não tiveres garantias de conservação, e descarta as cabeças e as partes escuras do marisco, onde se concentra mais cádmio.
Acontece alguma coisa se comi espadarte antes de saber que estava grávida? Não te alarmes. O risco do mercúrio é cumulativo. Um consumo pontual antes de saberes da gravidez não representa um problema. A partir de agora, substitui-o por opções seguras.
Posso comer peixe congelado? Sim, e de facto é uma opção muito segura: a congelação industrial mata o anisakis. Apenas certifica-te de que o cozinhas bem.
Perante qualquer dúvida concreta sobre a tua alimentação durante a gravidez, a tua parteira ou o teu ginecologista são quem melhor te pode orientar segundo o teu caso.



